quarta-feira, 15 de abril de 2009
Seguir o Líder.
Pior que a ignorância sobre certos assuntos é a total inutilidade que, se não for bem compreendida e assimilada, a informação pode ter, face àquela que realmente acrescenta e faz a diferença na qualidade de seu interesse e trabalho.
O volume de informações, algumas até conflitantes, disponíveis, por exemplo, no World Wide Web (WWW) a “Rede de Alcance Mundial”, que completou 20 anos em março, é uma tela em branco onde "As pessoas estão sempre inventando coisas novas e maravilhosas, que não poderíamos imaginar", segundo o britânico Berners-Lee, também conhecido como "pai da web".
Realmente, viajar por este mundo fascinante, descobrir coisas e adquirir novos conhecimentos pode ser proveitoso, mas pode ser também bastante nocivo. Isto é, qualquer pessoa pode inserir definições, artigos e informações técnicas que podem não ter nenhuma comprovação científica sendo, apenas, uma expressão do autor, seu ponto de vista. É importante verificar a confiabilidade do site visitado.
Qual seria a melhor definição para líder? Em alemão führer significa o “condutor”, “guia” ou “líder” e o grande Führer foi Adolf Hitler que, com sua capacidade e habilidade motivou, influenciou e conduziu pessoas a seguirem suas idéias fazendo-o figurar como o protagonista de um dos maiores horrores da humanidade. Para os indianos Gandhi foi o grande líder que, através da não-violência e da busca pela verdade iniciou uma marcha que lhes traria a independência em 1947. Sem considerar os aspectos morais, ambos são exemplos de grandes e poderosos líderes.
Embora aparentemente tenham sido ativistas de forma oposta, já que um foi pacifista e outro belicista, ambos comandaram grande número de pessoas, provocando dramáticas e significativas mudanças que repercutem até o presente em todo planeta. Possuíam características comuns como a determinação, visão, propósito, dom especial de captar e atrair a atenção de seus ouvintes e impregnar suas mentes com suas mensagens e idéias que fascinavam e os faziam a aceitá-los como seus respectivos líderes, que obedeciam e seguiam pelo poder da influência, do domínio, da manipulação, do carisma e do magnetismo pessoal.
Então podemos dizer que líder é alguém que possui seguidores, é um condutor de pessoas. Liderança é o processo de conduzir um grupo de pessoas. É a habilidade de motivar e influenciar os liderados para que contribuam, voluntariamente, da melhor forma com os objetivos do grupo ou de uma organização. As pessoas seguem o líder motivadas por suas características peculiares e por sua capacidade de influenciá-las.
O passado nos deixou vários grandes líderes, cujos feitos são ainda lições para todos nós, tanto por seus acertos como por seus erros.
Hoje a ausência de líderes é uma das maiores ameaças no mundo atual.
terça-feira, 31 de março de 2009
A Casa Perfeita II - Algo Mais Que Tecnologia -
(Leia a postagem anterior A Casa Perfeita, antes!)
Triste história, eu sei, mas é para pensar. A frieza da máquina. Não estamos tão longe de Arthur. Cercamos-nos desde modelo cibernético de existência. Bebês que nascem de provetas, que nunca conhecem seus pais, que são um objeto privado de suas mães, pedidos por encomenda, por catálogo. Com o tempo nascerão bebês de útero artificial, e nem sequer necessitarão de mães.
Se vivemos de máquinas e para máquinas, marchamos para a grande tristeza. A palavra cibernética foi cunhada no início do século XX por Norbert Wiener. É do grego kybernetes referindo-se à timoneiro, e da mesma raiz vem o verbo “governar”. Governar o que? A mensagem. Tudo o que existe são comunicação e tradução de mensagens. Quando toco certas teclas no computador e envio uma mensagem, ele me responde com outra mensagem e, em seguida volta a ordenar. Assim há um governo, um manejo de mensagem, um leme e um timoneiro.
A nave que se conduz e é conduzida devidamente nesta interconexão de mensagens. Wiener, em seu livro Cibernética e Sociedade, denomina cibernética ao estudo de mensagens como meio de manejar aparatos ou grupos humanos. Normalmente este nivelamento
de aparatos com grupos humanos produz ofuscação e ira.
São diferentes, desde então, e ninguém tem intenção de confundi-los. O que Wiener nos ensina, justamente, é que se quisermos que o humano funcione bem, temos de aprender a manejar as mensagens e decifrá-las corretamente.
As máquinas são para nosso serviço. O outro é minha finalidade, e a máquina é um meio para avançar em conforto, em telefone, em fax, em canais de televisão. São meios da vida e não a vida. A vida a constitui o homem com outros homens no mundo dos sentimentos. Este mundo está também dominado pela teoria das mensagens. Antes a regulação vinha dada pela tradição, a religião, o autoritarismo. Agora estamos sozinhos e devemos nos regular entre nós, conhecendo nossas limitações. Seremos muito mais felizes se aprendermos o que se pode se dar e o que é impossível de ser dar. O insensato romantismo tem nos causado danos e sofrimento. A nós como pares e a nossos descendentes como filhos.
Wiener, no citado livro, escreve:
“A educação do cidadão norte americano... está calculada para protegê-lo solicitamente contra a consciência da morte e condenação. Educa-o em uma atmosfera de Papai Noel, e quando descobre que ele é um mito, chora amargamente. Nunca aceita inteiramente a ausência dessa divindade em seu panteão e gasta grande parte de sua vida em busca de um substituto emocional.”
Não podemos viver sem mitos, mas podemos rever os mitos que estão sob nossos pés e verificar, como disse Morin, quais são bons, os que nos fazem bem, e quais são ruins, que nos fazem mal. Os mitos ruins são os que prometem um paraíso que nunca podemos alcançar e convertem a existência em uma frustração constante. Um mito bom é a fé no paraíso, aqui e agora, para hoje e amanhã, para nós e para os outros, a base de trabalho, de regulação de mensagens e contenção de emoções agressivas e estímulo de atitudes criativas.
Querer é crer. Não é a casa perfeita que nos fará felizes. Somos os felizes que construímos a casa perfeita. Nossa fé. Escolhida e decidida pela liberdade. Wiener: “A ciência é um modo de vida que pode florescer somente quando os homens gozam de liberdade para ter uma fé.”
quarta-feira, 25 de março de 2009
A Casa Perfeita - do livro "Para quererte mejor"
Arthur Clarke se volta para o futuro e imagina uma história do ano 2019, quando o homem estaria vivendo totalmente absorvido em um mundo de aparatos, autômatos, robôs e computadores.
Existe um personagem que se chama Arthur. Na realidade, não se trata de um ser humano, mas de uma casa. Sim, uma casa inteligente. Enfim, personagem, porque fala, dialoga, se comunica, atua, reage.
Pela manhã, Arthur abre as persianas, prepara o café, anuncia a temperatura, põe música clássica. Arthur, esta casa inteligente e perfeita, também faz a ambientação que o cliente desejar. Repentinamente o faz sentir ventos, calor, ou lua cheia. Gradua a temperatura a seu gosto, se quer dormir nu ou com três cobertores.
Samuel Palmerstone é o nome do habitante da casa. Na realidade, deveria ser dito, o amigo de Arthur. Afinal é o que são, amigos. Um pede, o outro lhe dá; um pergunta, o outro aconselha. Amigos. Um dia se conheceram e foram se amoldando um ao outro.
“A Arthur custou vários meses para conhecer Palmerstone e ajustar a programação da casa e seus estados de ânimo, rotinas, gostos e manias...”
Com o tempo, está claro, foram se conhecendo e cultivando a amizade que ocorre com a convivência. Arthur “também se encarregava de acompanhar seus negócios e tinha autorização para comprar ou vender os estoques da Palmerstone quando os preços ultrapassassem certos limiares”.
Porém nada é eterno. Ocorreu a fadiga. Palmerstone se cansou de tanta perfeição. Parece que a perfeição pode aborrecer e ser cansativa. De modo que Palmerstone um belo dia decidiu mudar-se deste bairro suburbano onde vivia sozinho e solicitou um posto de trabalho em plena Filadélfia.
“Isto lhe atraía muito. Aqui dezenas de profissionais, arquitetos, advogados, escritores, banqueiros e, inclusive um pintor, viviam sob o mesmo teto...”
Outro sistema de vida, enfim. Com gente, com outros seres humanos. Talvez menos perfeitos, mas algo mais emotivo. Claro que Arthur se inteirou de que seu amigo ia o abandonar. Ele o queria muito, ficou muito triste e não estava disposto a ficar sozinho. Sentia-se traído.
Haviam sido tão amigos e agora, de repente, unilateralmente, Palmerstone decide retirar-se e esquecê-lo. Arthur não podia suportar esta situação. Encheu-se de cólera e, uma noite, Palmerstone lhe pediu alguma coisa fresca, Arthur lhe deu, mas quando Palmerstone dormiu a casa continuou produzindo frio cada vez mais e assim foi como o encontraram no outro dia, morto, congelado. (Continua na próxima postagem com texto complementar - Algo Mais Que Tecnologia)
(*) Jaime Barylko - filósofo e escritor, nasceu (1936) e morreu (dezembro,2002) em Buenos Aires. Doutor em Filosofia pela Universidade Nacional de La Plata. A maioria de seus livros tornaram-se bestsellers. Sua última obra foi publicada em 2002: Los Valores y Las Virtudes.
Nota:
Em 1997 quando me encontrava em Buenos Aires para a passagem de ano, assistia a um programa de TV quando anunciavam o lançamento do livro "Para quererte mejor - Ese difícil arte de Amar y ser feliz", de Jaime Baylko, que era o meu questionamento do momento, bem como o de minha amiga que viajava comigo. No dia seguinte saímos feitos loucas atrás de dois exemplares. Em 1998, por ocasião de um evento da Construção Civil - EMARCON, que promovia no Shopping Ponteio, contatei o escritor para fazer uma palestra. Concordou, mas no dia que deveria embarcar para Belo Horizonte, ele me telefonou dizendo que não poderia vir, pois o parto de sua nora grávida havia sido antecipado e, através de uma cesariana seu neto chegaria ao mundo e nada, nada mesmo o tiraria de perto de seu filho e dela para receber o novo membro da família. Quatro anos depois soube de seu falecimento, em 2002.
terça-feira, 17 de março de 2009
Minha Querida Amiga é "Chef"!
Adoro pessoas versáteis, ecléticas, polivalentes e dinâmicas, são a minha "cara"! A curiosidade me faz interessar por vários e diversos assuntos. Nasci pesquisadora, realmente um "must" em minha vida que não é, nunca foi e nunca será monótona.
Assim e muito mais é, também, minha querida amiga Cátia Vasconcelos. Incrível. Quem a conhece sabe que não estou exagerando. Encara positivamente os altos e baixos da vida com um sorriso estampado no rosto. Uma verdadeira vencedora.
Lobista assumida desde os tempos que "lobby" no Brasil não era visto (embora existisse escancaradamente) com bons olhos. Nos últimos anos, com as mudanças ocorridas nas esferas governamentais, vários escritórios de assessoria parlamentar em Brasília foram fechando as portas. Sabiamente Cátia apenas encolheu um pouco o seu.
Advogada, dona de um invejável currículo profissional, locomotiva dos interesses das mulheres em todas as áreas, ex-presidente do CNDM-Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (fiz parte do seu conselho). Conseguiu inúmeros recursos e batalhou para elevar o CNDM em nível de Ministério! Muito plantou e as sucessoras colhem até hoje os frutos de um árduo e incansável trabalho. Não vou aqui falar de sua biografia profissional, mas, literalmente, de uma deliciosa mudança! Descanso, para quem trabalha muito é "carregar pedras", será? Mais ou menos. Minha amiga matriculou-se no curso de Gastronomia do Instituto de Educação Superior de Brasília e no dia 13/03/2009 coroou seu sacrifício (ou diversão?) recebendo seu diploma e agora é a grande Chef Cátia Vasconcelos, a avó e companheira de quatro netos. Como não podia deixar de ser, ela foi a oradora da turma. Eis na íntegra o seu discurso:
"A idéia de homenagear as mulheres nesta solenidade deve-se a três motivos:
O primeiro, porque nessa semana, em todo o mundo comemora-se o Dia Internacional da Mulher, reverenciando a memória das 129 operárias das indústrias têxteis e de confecção que morreram queimadas ao promoveram a primeira greve reivindicatória. Trabalhadoras corajosas que tiveram a audácia de se insurgirem contra a ordem social reinante e as discriminações impostas pelo modelo patriarcal.
O segundo, para resgatar um equívoco cometido por um grande chef brasileiro de renome internacional, aqui neste auditório, sobre a participação feminina no mundo mágico da gastronomia e no comando de grandes restaurantes.
O terceiro e mais importante é o fato de estarmos assistindo a ascensão profissional da mulher no mundo dos aromas, sabores e do seu refinamento na preparação de comidas. Hoje ela constitui a maioria nos cursos oficiais de gastronomia. Ocorre o mesmo no terreno da enologia. Há pouco tempo, os cursos avançados sobre vinhos tinham no máximo 20% de alunas. Atualmente, de acordo com a Associação Brasileira de Sommeliers, as mulheres correspondem a 50% dos inscritos.Nós mulheres não somos apenas mais da metade da população do Brasil. Somos as responsáveis pela geração da vida e dos cuidados com os filhos. E a alimentação ocupa lugar de destaque na saúde e bem estar da família.
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Petit gâteau au chocolat - Receita Chez Cátia
1 1/4 xícara (de chá) de manteiga sem sal;
3/4 xícara (de chá) de açúcar;
3/4 xícara (de chá) de farinha de trigo;
5 gemas;
5 ovos;
1 colher (de chá) de essência de baunilha ou rum (se desejar).
Modo de Preparo
Unte com manteiga 12 formas de
Aqueça o forno em temperatura média.
Em um bowl apoiado sobre uma panela com água quente (não fervente),
derreta o chocolate e a manteiga, mexendo delicadamente.
Em um bowl grande, misture as gemas com os ovos e o açúcar. Junte
o chocolate derretido e a farinha aos poucos, mexendo bem.
Distribua a massa nas forminhas sem prenchê-las por completo.
Asse por até 15 minutos em forno pré-aquecido e na temperatura
máxima. Os gateaux estarão prontos quando as bordas estiverem assadas
e o centro apresentar textura mole ao ser pressionado com o dedo.
Retire do forno e desenforme.
Dica:
Se desejar, sirva com sorvete de creme ou baunilha. Unte as forminhas
com manteiga e cacau em pó, que dará um efeito melhor, não use achocolatados.
terça-feira, 3 de março de 2009
Desconfiômetro
Os computadores de grande porte eram extremamente sensíveis à temperatura ambiente e necessitavam de baixas temperaturas para não capitularem! De forma semelhante, eu sempre fui vulnerável às diferenças nas quantidades de frio ou calor, principalmente à medida que se distanciavam.
Exposta às variações substanciais, logo era acometida por uma de minhas fortíssimas crises de faringite, naqueles deliciosos verões cariocas.
No Riodatacentro, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (clique na foto), onde me graduava no Mestrado em Ciência da Computação, os alunos tinham uma salinha, tipo cubículo, individual ou com algum colega, para estudarem e preparar os trabalhos práticos que utilizassem os computadores, localizados no Centro de Computação, em outro prédio do campus.
Aquelas idas e vindas para checar os programas nos faziam deslocar não só de um prédio ao outro, mas também nos submetermos às extremas variações de temperatura, tanto que, ao sairmos da sala de computadores para retornarmos às nossas salas, tínhamos que atravessar uma barreira formada pela massa de ar quente. Na maioria das vezes, o verão era um martírio para mim, pois só uma dessas passagens era suficiente para que os primeiros sintomas de faringite aparecessem.
Uma daquelas crises, que hoje felizmente diminuíram, veio tão forte fazendo-me tossir sem parar. A tal “tosse de cachorro”, como era chamada. Os acessos eram terríveis e dolorosos. Incomodavam, não só a mim, mas a todas as pessoas ao redor.
- Suzie, venha até aqui, por favor. Chamou-me um colega em um dos “cubículos” ao lado do meu.
- Sim, o que você quer? Perguntei com a voz rouca, ainda tossindo.
- Que xarope você está tomando? Respondi dizendo o nome do xarope, que não recordo , devolvendo-lhe outra pergunta:
- Você também está com tosse?
- Felizmente não, mas anotei o nome do remédio para me lembrar que ele simplesmente não funciona!
Ao sair da PUC naquele final de tarde, liguei para o médico solicitando outra medicação.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Festa em Brasília
Em meados da década de 80 o Brasil estava em lua de mel com a Nova República e Brasília era toda festiva. Na mesma época sentia-me bastante frustrada e sofria muito com o fim de meu casamento que, apesar de ter durado apenas sete anos, me deixara com meus lindos e queridos filhos de um, três e cinco anos de idade sem qualquer pensão ou ajuda financeira. Frente a uma nova situação e estilo de vida, procurei manter um certo “status” social e, sempre que podia, aceitava alguns dos convites que continuei a receber.
A ginástica financeira a que me submetia era digna de um malabarista, pois equilibrar as despesas com o curto salário que recebia como gerente de Auditoria de Sistemas da Prodabel e continuar com uma vida social ativa era quase a mesma coisa que enfrentar um baile de Cinderela.
O convite para um jantar em Brasília, onde o então Ministro da Casa Civil José Hugo Castelo Branco, seria homenageado na residência de um famoso colunista social com a presença de várias autoridades inclusive do presidente José Sarney me animou, pois seria uma boa oportunidade de reencontrar alguns de meus prezados amigos da Capital.
O jantar foi maravilhoso. O casal anfitrião sempre foi e continua sendo brilhante e perfeito na arte de receber. Quando estamos sofrendo qualquer tipo de perda é muito difícil deixar tudo de lado e curtir o momento. Assim me sentia e afastei-me um pouco de todos isolando-me num canto da casa. Não por muito tempo, pois uma jornalista, casada com um diplomata e uma promotora de eventos muito conhecidas sentaram-se ao meu lado e começamos a conversar. Logo as duas perceberam a minha tristeza e o assunto girou, por alguns minutos, sobre a minha separação.
- Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, disse-me a promotora de eventos. A vida é curta e homem algum neste mundo merece nosso sacrifício.
- Você é nova e bonita. Logo vai encontrar um bom partido, comentou a jornalista, e continuou - mas se ficar amuada pelos cantos, vai espantar todo mundo, ninguém gosta de gente triste.
Nisto estavam corretíssimas.
- Até quando você fica em Brasília?
- Retorno amanhã, sábado, ou melhor, hoje, no vôo das 11h45min. Vim só para o jantar.
- Nada disso, comentou a jornalista, fique até domingo e nós a levaremos numa festa muito badalada e animada em casa de uns amigos. Você vai se divertir e adorar.
- Não sei, não ando muito animada para festas. Gostei muito de ter vindo a este jantar, mas se não fossem vocês, eu já teria retornado ao hotel.
- Em que hotel você está?
- No Carlton.
- Então só precisa mudar seu vôo, nos finais de semana os hotéis estão sempre vazios.
Apesar de minha argumentação e desculpas para recusar o convite, as duas acabaram por me convencer. Estaria sozinha mesmo, uma vez que meus filhos estavam com o pai naquele fim de semana. Fiquei, passei o dia todo no quarto, ou melhor, o resto do dia, pois elas me deixaram no hotel por volta das 4 horas da manhã. Viriam me buscar às 21h00min.
Sou pontual e minutos antes da hora combinada já estava prontinha esperando por minhas novas amigas. Ás 21h15min. resolvi ligar para uma delas. Ainda estava em casa e disse que me pegariam em 15 minutos. Chegaram meia hora depois. Alegres e muito animadas, falando ao mesmo tempo, conseguiram elevar meu astral.
O número de carros estacionados e o barulho de vozes e risadas misturados com o som musical eram uma amostra de que a festa realmente estava animadíssima. Billie Jean de Michael Jackson. Saímos do carro dançando, contagiadas pelo ritmo.
Sem me apresentar aos anfitriões as duas locomotivas saíram cumprimentando as pessoas e eu atrás. Serviram-se de champanhe enquanto eu procurava por um refrigerante, os remédios para ansiedade e depressão me impediam de ingerir qualquer bebida alcoólica. Ao alcançarmos o jardim, decorado com muito bom gosto, onde mesas redondas já estavam ocupadas por pessoas que conversavam alegremente, paramos em uma delas com três lugares disponíveis. Apresentaram-me a um casal, puxando uma cadeira para que eu me assentasse ao lado deles e iniciaram uma conversa com um jovem e elegante homem que me cumprimentou e, entre as duas, de braços enlaçados, seguiram os três para a pista de dança, dentro da casa. Perdi-os de vista.
O Buffet foi aberto e nos servimos. Passei o tempo conversando com os companheiros de mesa, principalmente com o casal que me fora apresentado. Após a sobremesa, vi que alguns convidados já se retiravam. Preocupada, olhava para os lados na tentativa de localizar minhas amigas. Nada. Levantei-me para ir ao banheiro e as procurei pela casa toda. Ao retornar, perguntei se alguém havia as havia visto.
- Elas saíram há muito tempo com o Renato.
O conjunto musical tocava e cantava Marvin, a música preferida de meu filho com quase quatro anos de idade. Senti saudades e vontade de estar com meus filhos.
Embora desapontada, novamente pedi licença e, à procura de um telefone para chamar um táxi, o garçom me levou até o escritório onde havia um. Ao pegar o aparelho, minha intenção era ligar para o 102 e solicitar o número de uma empresa de táxi. Recoloquei o telefone no gancho.
- Como iria solicitar um táxi se não tinha a menor noção de onde estava? Perguntei-me. Como vou solicitar o endereço da casa e para quem? Se o fizer acabarei por entregar as duas maluquinhas e a mim mesma como “penetra”. Apavorei! Retornei ao lugar onde passara o tempo todo e o casal que me dera atenção já se despedia. Percebeu meu nervosismo e me ofereceu carona.
Respirei aliviada e imediatamente aceitei. No caminho para o hotel perguntou se eu queria encontrar minhas amigas que com certeza estariam em uma boate com o tal Renato.
- Elas sempre fazem isto. Saem conosco e nos abandonam. Principalmente se o Renato aparece.
- Agradeci a oferta e preferi que me deixassem no hotel.
Não dormi direito inconformada com o comportamento das duas. Não era apenas falta de educação o que me fizeram, mas loucura! Como alguém que pertencia ao mundo diplomático e outra que organizava eventos poderiam ter aquele comportamento? Até hoje procuro a resposta! Nunca mais as encontrei.
No vôo para BH, na segunda-feira, a comissária de bordo ofereceu-me um jornal de Brasília. A coluna social comentava sobre as festas do final de semana. Fiquei imaginando em qual delas eu havia estado! Não descobri e creio que esta dúvida me acompanhará até o final de meus dias!
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
OBA OBA OBA OBAMA! 20 de janeiro de 2009, possivelmente marco zero de uma nova era!

Photo: Shepard Fairey (telegraph.co.uk)
"Meus caros cidadãos:
Eu me coloco aqui hoje humildemente diante da tarefa à nossa frente, grato pela confiança com que vocês me honraram, ciente dos sacrifícios realizados pelos nossos ancestrais. Eu agradeço ao presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, bem como pela generosidade e cooperação que ele mostrou ao longo da transição.
Eles não serão vencidos facilmente ou em um período curto de tempo. Mas saiba disso, América: eles serão vencidos.
Nesse dia, nos reunimos porque nós escolhemos a esperança em vez do medo, a unidade de propósito em vez do conflito e da discórdia.
Ao reafirmar a grandiosidade de nossa nação, nós entendemos que a grandeza nunca é dada. Ela deve ser conquistada. Nossa jornada nunca foi de atalhos ou de aceitar menos. Não foi a trilha dos inseguros - daqueles que preferem o descanso ao trabalho, buscam apenas os prazeres das riquezas e da fama. Em vez disso, (nossa jornada) tem sido uma de tomadores de risco, atuantes, fazedores das coisas - alguns celebrados, mas muitos outros homens e mulheres obscuros em seu trabalho - que nos levaram pela longa e espinhosa rota rumo à prosperidade e à liberdade.
Para nós, eles trabalharam duro em fábricas exploradoras e seguiram rumo a Oeste; suportaram o açoite do chicote e lavraram a terra dura.Para nós, eles lutaram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandy e Khe Sahn.
Essa é a jornada que nós continuamos hoje. Nós permanecemos a mais próspera e poderosa nação da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando essa crise começou. Nossas mentes não têm menos imaginação, nossas mercadorias e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade permanece a mesma. Mas nossa hora de proteger interesses estreitos e adiar decisões desagradáveis - esse tempo certamente passou. Começando hoje, nós precisamos nos levantar e começar de novo o trabalho de reconstruir a América.
Para todos os lugares que olhemos, existe trabalho a ser feito. A situação da nossa economia pede ação, ágil e rápida, e nós agiremos - não apenas para criar novos empregos, mas para lançar a fundação para o crescimento. Nós construiremos as estradas e pontes, as instalações elétricas e linhas digitais que alimentam nosso comércio e nos mantém juntos. Nós levaremos a ciência a seu lugar de merecimento e controlaremos as maravilhas da tecnologia para aumentar a qualidade do sistema de saúde e reduzir seu custo.
Também não á a questão que se apresenta a nós se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. Seu poder de gerar riquezas e expandir a liberdade é ilimitado, mas esta crise nos fez lembrar que sem vigilância, o mercado pode sair do controle - e uma nação não pode prosperar por muito tempo quando favorece apenas os mais ricos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho do nosso Produto Interno Bruto (PIB), mas do poder da nossa prosperidade; na nossa habilidade de estendê-la a cada um, não por caridade, mas porque esse é o caminho mais seguro para o bem comum.
Sabemos que nossa herança multicultural é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus - e ateus. Somos moldados por cada língua e cultura, de cada parte desta Terra; e por causa disso provamos o sabor mais amargo da guerra civil e da segregação e emergimos desse capítulo mais fortes e mais unidos; não podemos senão acreditar que os velhos ódios passarão um dia; que as linhas das tribos vão se dissolver rapidamente; que o mundo ficará menor, nossa humanidade comum deve revelar-se; e que a América vai desempenhar o seu papel em uma nova era de paz.
Às pessoas das nações pobres, nós queremos trabalhar a seu lado para fazer suas fazendas florescerem e deixar os cursos de água limpa fluírem; para nutrir corpos famintos e alimentar mentes ávidas. E para aquelas nações como a nossa, que vivem em relativa riqueza, queremos dizer que não podemos mais suportar a indiferença quanto ao sofrimento daqueles que sofrem fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem nos importar com as consequências. Nós devemos acompanhar as mudanças do mundo.
Porque, por mais que o governo possa fazer e precise fazer, em última instância é da fé e da determinação do povo americano que esta nação depende. É a bondade de receber um estranho quando os diques se rompem, é o desprendimento de trabalhadores que preferem reduzir suas horas a ver um companheiro perder o emprego o que nos auxilia em nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro de subir uma escada cheia de fumaça, mas também a disposição de pais de criar uma criança o que, no fim das contas, decide o nosso destino.

